Lara Cavalcanti é alvo de denúncia por autodeclaração racial e rebate acusações. Confira abaixo as notas oficiais:

Carta enviada pelo vereador Gilmar Santos:

 

NEGRA LARA: Lara Cavalcanti enfrenta desgaste em Pernambuco após polêmica racial

 

A autodeclaração racial da candidata a deputada estadual Lara Cavalcanti (PL) tem provocado questionamentos em Pernambuco. A jornalista se autodeclarou parda à Justiça Eleitoral – categoria que, ao lado da população preta, compõe oficialmente a população negra brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Não é a primeira vez. Quando disputou a Prefeitura de Petrolina, em 2024, Lara Ribeiro Cavalcanti de Almeida também informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser uma mulher negra.

 

O caso veio à tona na noite desta terça-feira (8), após a divulgação de um vídeo nas redes sociais do Professor Gilmar, candidato a deputado estadual, militante do movimento negro há mais de 30 anos e autor de mais de cinco leis antirracistas aprovadas em Petrolina. Entre elas está o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 3.330/2020, iniciativa pioneira no estado de Pernambuco e um dos principais marcos da legislação antirracista no município.

 

O caso reacende uma discussão que ganhou força após a criação de mecanismos para ampliar o financiamento de candidaturas negras. A política é uma conquista histórica do movimento negro e teve na deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) uma das principais protagonistas. A medida busca enfrentar uma desigualdade histórica: apesar da forte presença de pessoas pretas e pardas entre as candidaturas, a população negra permanece sub-representada nos espaços de poder.

 

Casos de candidatos socialmente percebidos como brancos que se registram como pardos têm provocado questionamentos sobre o acesso às políticas afirmativas destinadas às candidaturas negras. Um dos episódios mais conhecidos aconteceu na Bahia. Em 2022, a autodeclaração como pardo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto gerou grande repercussão e virou motivo de sátira nas redes sociais, onde passou a ser chamado por adversários de “ACM Negro”.

 

Em Petrolina, integrantes do movimento negro também questionam a trajetória política de Lara. Embora se declare parda, e, portanto, pertencente à população negra segundo a classificação utilizada pelo IBGE, sua atuação pública não é associada à defesa das principais pautas históricas do movimento negro, como cotas raciais, políticas antirracistas e defesa das comunidades tradicionais de terreiro.

 

O contraste também é apontado em relação às referências políticas da candidata. Lara integra o Partido Liberal (PL) e tem Jair Bolsonaro como liderança política. Em 2025, o ex-presidente foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos em razão de declarações racistas, entre elas a comparação do cabelo de um homem negro a um “criatório de baratas”.

 

Diante da repercussão, setores do movimento negro de Petrolina estão se articulando para levar o caso ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), para que a Justiça Eleitoral analise a autodeclaração e seus eventuais efeitos sobre políticas destinadas às candidaturas negras.

 

O questionamento colocado pelo movimento, portanto, vai além da aparência: se Lara Cavalcanti se reconhece como uma mulher parda e, consequentemente, negra, como essa identidade se manifesta em sua trajetória pública e política?

 

Abaixo a resposta da candidata Lara Cavalcanti:

 

NOTA DE LARA CAVALCANTI

 

Hoje fui alvo de um ataque político que considero cruel, desonesto e profundamente desrespeitoso. E não apenas comigo, mas com a própria verdade.

 

Em uma tentativa clara de atingir a minha imagem, um candidato decidiu transformar a minha autodeclaração de cor ou raça como parda, registrada oficialmente perante a Justiça Eleitoral, em algo que eu jamais disse.

 

Eu me declarei parda. Não me declarei preta. Não disse que era negra.

 

Minha declaração segue exatamente a classificação utilizada pelo próprio IBGE e pela Justiça Eleitoral. No Brasil, branca, preta, parda, amarela e indígena são categorias distintas de cor ou raça utilizadas pelo IBGE, e a informação é baseada na autodeclaração. O Censo 2022 mostrou, inclusive, que 45,3% dos brasileiros se declararam pardos, fazendo da população parda o maior grupo de cor ou raça do país. São mais de 92 milhões de brasileiros. 

 

Portanto, não há absolutamente nada de estranho, irregular ou extraordinário em uma brasileira se declarar parda. Essa é a minha autodeclaração, feita de forma legítima, consciente e honesta.

 

O que considero grave é alguém, por conveniência política, pegar uma informação oficial e tentar distorcê-la para construir uma narrativa contra mim. Isso não é debate político. Isso é tentativa de desqualificação pessoal e principalmente violência política de gênero.

 

E talvez seja justamente esse o problema: uma mulher que chegou até aqui com trabalho, coragem, independência e uma história conhecida pela população começa a incomodar.

 

Quando faltam propostas, argumentos e resultados para apresentar, alguns escolhem o caminho mais fácil: atacar, insinuar, distorcer e tentar diminuir a adversária.

 

Não vou entrar nessa política pequena.

 

Não vou permitir que a minha campanha seja pautada por ataques pessoais ou por interpretações maliciosas feitas por quem prefere falar de mim a apresentar o que pretende fazer por Pernambuco.

 

Eu quero discutir saúde pública. Quero falar das mães atípicas, das pessoas com deficiência, das famílias que convivem com doenças raras. Quero discutir a falta de especialistas, as filas, o acesso ao diagnóstico, a saúde da mulher, a saúde mental e tantos outros problemas que afligem o nosso povo.

 

É disso que Pernambuco precisa.

 

Minha candidatura nasce de uma trajetória de trabalho, de comunicação, de defesa de causas e, sobretudo, de escuta da população.

 

Não vou pautar minha campanha pela plataforma ou pelas opiniões de outros candidatos. Vou apresentar aquilo em que acredito e as propostas que considero necessárias para Pernambuco, especialmente para o nosso Sertão.

 

A política precisa recuperar o seu propósito: servir às pessoas, apresentar soluções e melhorar a vida de quem mais precisa.

 

Lamento profundamente que, em vez de propostas, a nossa gente esteja recebendo ataques pessoais e tentativas de distorção.

 

Eu continuarei fazendo política olhando para frente. Com verdade, coragem e respeito.

 

Lara Cavalcanti