Governo recusou propostas que previam 1,5 milhão de doses de vacina ainda em 2020, diz ex-presidente da Pfizer no Brasil em CPI

O ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, presta depoimento à CPI da Covid-19 nesta quinta-feira (13). Murillo, que hoje ocupa o cargo de gerente-geral da empresa na América Latina, era o responsável pela condução das negociações da farmacêutica com o Brasil para a aquisição de vacinas contra o novo coronavírus. Carlos Murillo reveleou que as primeiras reuniões da Pfizer com o governo sobre a aquisição de vacinas ocorreram em maio de 2020. A interlocução com a pasta, então comandada pelo general Eduardo Pazuello, era feita com Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério.

 

Carlos Murillo deu detalhes sobre as três ofertas de vacinas feitas ao governo Bolsonaro ainda em 2020. De acordo com o depoente, as propostas foram formalizadas nos dias 14, 18 e 26 de agosto. Em cada uma delas, havia opção para compra de 30 ou 70 milhões de doses. Os primeiros lotes (de 500 mil ou 1,5 milhão) chegariam ainda em dezembro. Se o governo Bolsonaro tivesse assinado a proposta feita pela Pfizer ao Brasil no dia 26 de agosto, o país teria 18,5 milhões de doses à disposição até o fim do segundo trimestre deste ano, disse.

 

O ex-presidente da Pfizer no Brasil disse que o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, só conversou com ele Murillo em novembro de 2020, e que o governo brasileiro se preocupava com a logística de armazenamento dos imunizantes. As ofertas de novembro – com previsão de entrega de 70 milhões de doses – não foram aceitas pelo Brasil. Murillo relatou também uma proposta feita em fevereiro, que previa 100 milhões de doses: 8,7 milhões no 2º trimestre; 32 milhões no 3º trimestre e 59 milhões no 4º trimestre. Também não foi aceita. O Brasil acabou fechando contrato com a Pfizer só no dia 19 de março de 2021.

 

Carta – Murillo confirmou que a Pfizer enviou, em 12 de setembro, uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, com cópia para integrantes da cúpula do governo, reforçando o interesse da empresa em fazer negócio com o Brasil. Na quarta-feira (12), em depoimento à CPI, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten afirmou que a carta ficou dois meses sem resposta. Wajngarten disse que ficou sabendo do documento em 9 de novembro, quando ele próprio decidiu entrar em contato com a Pfizer.

 

A próxima reunião irá ocorrer na terça-feira, 18, com o depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

 

foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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