Ex-comandante da PM do DF afirma desconhecer que atos seriam agressivos e que exército se mobilizou para impedir entradas das tropas da PM

O ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Fábio Augusto Vieira, afirmou, em depoimento prestado à Polícia Federal na quinta-feira (12), que, em meio à eclosão do ato golpista no domingo, o Exército ‘estava mobilizado para não permitir’ a entrada da PM no Setor Militar Urbano, onde estava localizado o acampamento montado em Brasília, em frente ao Quartel General. Segundo trecho da oitiva, a indicação foi feita pelo coronel logo após ele relatar à PF um diálogo mantido com o Comandante Militar do Planalto, General Dutra – no qual Vieira teria afirmado que a PM estava indo realizar prisões no SMU.

 

Fábio Augusto, disse à Polícia Federal que não recebeu ordens para impedir os manifestantes de descerem a Esplanada dos Ministérios, no domingo (8) de ataques em Brasília.

 

De acordo com o coronel, havia ordem para evitar somente a entrada na Esplanada dos ônibus usados no transporte dos manifestantes até Brasília.

 

No depoimento obtido pela CNN, o coronel afirma que “todos os informes de inteligência apontavam que não havia indicativo de ações violentas” e que ele desempenhou atribuições definidas em reunião realizada na Secretaria de Segurança Pública da qual não participou porque não faria parte de suas funções.

 

O encontro teve, segundo Fábio Augusto, a presença de comandantes da PM da área central de Brasília; representantes da secretaria e também de órgãos federais, como Agência Nacional de Inteligência (Abin); Ministério da Justiça; Gabinete de Segurança Institucional e do Supremo Tribunal Federal, que teve suas dependências atacadas.

 

O coronel, preso por decisão do ministro Alexandre de Moraes, também revelou que, no dia dos ataques, observou que não havia contingente suficiente da Polícia Legislativa, nem do policiamento do Planalto, realizado pelo Exército.

 

Durante a escolta policial, realizada durante a descida dos manifestantes até a Praça dos Três Poderes, de acordo com o ex-comandante-geral, não havia indicativo de desordem ou violência.A defesa do coronel também atribui culpa ao Exército pela manutenção dos acampamentos em frente ao QG, do Exército.

 

De acordo com o policial militar, por três vezes ele chegou a mobilizar homens para dissolver os manifestantes em frente ao QG, mas o Exército teria impedido a ação da PMDF. Em uma das situações, Fábio Augusto afirma ter destacado 500 homens com objetivo de acabar com o acampamento.

 

Com informações CNN e Estadão

Foto: reprodução Estadão

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