Alteração da bula da cloroquina, campanha contra a covid e postura de Bolsonaro: o que disse Mandetta em depoimento na CPI da Covid

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, prestou depoimento nesta terça (4) a senadores na CPI da Covid, que investiga ações de omissões de autoridades na pandemia. Durante seu depoimento, Mandetta revelou que o presidente Jair Bolsonaro queria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid-19. Segundo Mandetta, o pedido para alterar a bula do remédo, que de acordo com estudos científicos é ineficaz contra a doença, foi negado pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

 

Mandetta disse que o Ministério da Saúde seguia a “cartilha da Organização Mundial de Saúde” e que, se ele tivesse adotado a teoria de que o vírus não chegaria no Brasil, teria sido uma “carnificina”. Disse ainda que “provavelmente”, Bolsonaro se aconselhava sobre a pandemia com fontes de fora do Ministério da Saúde, e que as falas contrárias à ciência criaram divisões dentro do país e, com isso, parte da população achou que poderia desobedecer medidas de prevenção.

 

Mandetta disse também que o governo não quis fazer uma campanha nacional de comunicação contra a covid-19, e que por isso, dava entrevistas diárias para atualizar a população sobre o avanço da pandemia. O ex-ministro afirmou que não foi diretamente pressionado pelo presidente a tomar medidas contrárias ao que era recomendado pela ciência, mas que foi publicamente confrontado, o “que dava uma informação dúbia à sociedade”. Mandetta está sendo ouvido na condição de testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho.

 

Pazuello – A CPI da Covid decidiu remarcar para o dia 19 de maio o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. A presença do general do Exército estava prevista para esta quarta-feira (5), mas Pazuello disse que teve contato recente com pessoas infectadas pelo novo coronavírus, e que, por ter que entrar em quarentena, não poderia participar presencialmente.

*com informações do G1

foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Fotos Públicas

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