Defesa de réu confesso do Caso Beatriz solicita mudança do julgamento para o Recife

A defesa de Marcelo da Silva, réu confesso pelo assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, apresentou à Justiça de Pernambuco um pedido para que o júri popular do caso seja transferido de Petrolina para o Recife. O requerimento de desaforamento foi protocolado na última semana e ainda aguarda análise.

 

Na petição, os advogados argumentam que a realização do julgamento em Petrolina representa risco à integridade física do acusado e da equipe de defesa, em razão da grande comoção popular provocada pelo crime, ocorrido em dezembro de 2015.

 

Segundo a defesa, durante as audiências de instrução realizadas nos dias 22 e 23 de novembro e 15 de dezembro de 2022, foram registrados episódios de hostilidade, tensão e ameaças, o que teria exigido a atuação da Polícia Militar para conter os ânimos e evitar possíveis atos de violência.

 

Além da questão da segurança, os advogados sustentam que o cenário de intensa mobilização social compromete a imparcialidade do Conselho de Sentença. A petição cita a atuação de Lucinha Mota, mãe de Beatriz, que ganhou destaque nacional ao caminhar cerca de 720 quilômetros entre Petrolina e Recife, em 2021, cobrando a elucidação do crime. A defesa também menciona que ela assumiu, posteriormente, o cargo de secretária estadual de Justiça e Direitos Humanos.

 

Para os defensores, a ampla repercussão do caso e a mobilização em torno da busca por justiça podem influenciar a formação do júri na comarca onde o crime ocorreu.

 

O pedido de transferência será analisado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, que decidirá se o julgamento permanece em Petrolina ou será realizado na capital pernambucana. Até o momento, não há previsão para a análise do requerimento.